Envelhecer não é o problema

Envelhecer não é o problema

Já ouvi muito por aí: “de repente acordo e não consigo mais me agachar”. Esse “de repente” não existe. Antes, seu corpo já vai avisando, vai dando dicas que algo não vai bem, dando os primeiro sinais sutis e depois – gritando -, pedindo socorro. Mas quando chega nessa aflição de grito, vem aquele susto e a sensação do “de repente”. Assim, como todo ser humano, você logo quer achar o culpado, somos experts em culpar os outros e não a nós mesmos.

 

Primeiro, culpamos o movimento: “ah, foi quando agachei para pegar o livro”; “ah, foi na minha aula de tênis”. Pobrezinhos dos movimentos…  Eles não têm nada a ver com a sua dor. Quebre esse paradigma! 

E se não encontra o culpado na atividade física, culpa a sua idade. Como se, “de repente”, envelhecer fosse o grande problema. Passamos assim a repudiar o envelhecer, a odiar envelhecer, a temer envelhecer. Vou tentar ser o mais direta possível: a culpa das suas dores e pesadelos não é nem do movimento e nem de envelhecer, é exclusivamente a falta de se mover. 

Pare, e reflita por um instante: você, assim como todo mundo, foi projetado há milhões de anos para um estilo de vida voltado ao movimento. Coletar e caçar. Portanto, não tem como mudar isso, trocar de roupa. Seu corpo não vai se adaptar a um estilo de vida totalmente sedentário, você tem que se adaptar às exigência dele, e ele quer se mover. Então, MOVA!

Seu corpo precisa comer e mastigar alimentos saudáveis para viver bem. E este alimento é exclusivamente todo o tipo de movimento, de prática corporal, que para você executar precisa mastigar, se concentrar, focar, aprender e experimentar. São todas as práticas nas quais você precisa mergulhar no processo. Costumo dizer que se você está praticando uma atividade física e consegue, ao mesmo tempo, assistir televisão e mascar chiclete é porque não está te acrescentando nada. Fuja dessa atividade!

Estudos demonstram que, a partir de 5 horas parado em qualquer posição, os efeitos benéficos de uma atividade física começam a ser anulados. Mas não se desespere: isso não quer dizer que deve se tornar um atleta e ficar na academia por horas, use sua OPORTUNIDADE PARA SE MOVER (OTM- opportunity to move), ela é particular a cada um e ao seu estilo de vida. Use a criatividade e se mova. 

Se você mora em prédio, suba de escadas alguns andares, compre uma barra de porta e se pendure todos os dias, agache mais, mexa sua coluna, mobilize suas articulações. “De grão em grão a galinha enche o papo.” A velhice não é o problema. O parar de se mover sim. 

Quanto mais o ser humano vai se tornando “adulto”, paramos de brincar de esconde-esconde na rua, de jogar bola, de participar da educação física. Chegamos até a achar ridículo uma pessoa “agitada”. Já se pegou julgando uma criança ativa (quero dizer, normal) no restaurante, e torceu o nariz? (Não estou falando de criança sem educação, isso é bem diferente.) Nossa sociedade condena o movimento: “menina bonita é aquela que fica sentadinha,” ou “cuidado que vai cair da árvore, não suba!”, ou “vá brincar, mas não se suje.” Já ouviu alguma frase dessas na sua infância? Frases que congelam o movimento humano?

Nossa natureza é a obsessão para se mover. O mesmo tipo de obsessão da criança quando está aprendendo a andar. Nós nos empenhamos para andar, nos esforçamos, dedicamos horas por dia e veja só: conseguimos! 

E a velhice não nos tira essa vontade de mover, essa curiosidade e vontade de provar novos horizontes. A sociedade moderna que nos tira. Foi ela que vendeu que o velho deve ficar muito confortável, usar chinelos macios e ter o maior número de conforto possível. Nós mesmos fizemos a nossa própria armadilha. Tiramos o movimento e colocamos os remédios, e quem está ganhando com isso? Você?

Pense nisso: envelhecer é maravilhoso, te traz experiência para se mover ainda melhor. Não pare!

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Juliana Ota
juotabozano@gmail.com
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